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E AÍ, TOPA CONVERSAR SOBRE E.C. EM TEMPOS DE TRANSFORMAÇÃO?

19/06/2020
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Nos últimos meses, tenho me deparado com uma incidência maior do termo Universidade Corporativa em discussões organizacionais. Algumas empresas buscam entender seu significado outras expõem suas práticas e resultados. Enfim, vejo de alguma forma um retorno das discussões sobre o papel estratégico das Universidades Corporativas, também conhecidas como UCs. A discussão desse tema teve seu ápice no início deste século, mas perdeu intensidade com a crise de 2008, não sendo diferente no Brasil. Esse desaquecimento evidenciou, de alguma forma, que ainda precisamos entender melhor o papel da educação corporativa nos momentos de crise e que não tratamos estrategicamente do tema. No entanto, precisamos trazer o debate não só sobre o valor estratégico das UCs mas também sobre a validade de seus conceitos e princípios para o novo contexto, moldado pelas novos paradigmas do mundo digital.

Hoje, o jogo corporativo é desenvolvido em um cenário que vem se desenhando ainda mais complexo e imprevisível do que uns anos atrás, quando começamos a ouvir falar, no meio corporativo e de escolas de negócio, que estávamos vivendo num ambiente VUCA – anacrônimo utilizado para descrever a volatilidade (volatility), incerteza (uncertainty), complexidade (complexity) e ambiguidade (ambiguity) do mundo. Se já era VUCA uns anos atrás, agora é “VUCA extremado”! O cenário é regido pelos ventos da mudança que quebram alguns paradigmas da economia clássica e demandam novas competências. Ventos da transformação digital, que nos traz uma nova era, regida por um ritmo exponencial das mudanças. Ventos da inteligência artificial, internet das coisas e da singularidade.

E aí, qual o papel das UCs neste contexto? Continuamos a ser o “guarda-chuva estratégico para desenvolvimento e educação de funcionários, clientes e fornecedores, buscando otimizar as estratégias organizacionais”, conceituado por Jeanne Meister, especialista do tema Universidade Corporativa?

Acredito que, dada a complexidade e ambiguidade atual não temos uma única resposta a esta questão. Precisaremos conviver com o sim e o não como respostas. E, com a crença de que precisamos nos oportunizar dos paradoxos, gostaria de compartilhar algumas opiniões que tenho sobre o papel das Universidades Corporativas neste mundo digital, que reafirmam este conceito ao mesmo tempo que questionam e demandam sua evolução.

De fato, algumas Universidades Corporativas se esforçaram para ocupar esse espaço, essa tag ou papel de alguma forma. Mas, cá pra nós, o nome “Universidade Corporativa” também não ajuda! Quando sou entrevistada por alguns sites e revistas, não é raro encontrarmos jornalistas que perguntam sobre as disciplinas, o reitor, o corpo docente, prédio, etc., fazendo total analogia às Universidades Acadêmicas. Isso, de alguma maneira, coloca um frame estereotipado às Universidades Corporativas que, na cabeça de muitos, deveria corresponder ao universo acadêmico tradicional. Se hoje o modelo de academia é questionado em forma e conteúdo, imagine então o quanto de polêmica causa quando transportam esses conceitos para o universo do business. O fato é que quando se fala em Universidade Corporativa, fala-se de ações educacionais pertinentes ao universo dos negócios, ou seja, Educação Corporativa. Esse modelo educacional atende a dois stakeholders, direta e indiretamente: negócios e indivíduos. Possui alguns princípios e objetivos definidos e compartilhados por vários especialistas no mundo inteiro. Entre os principais, elenco os três abaixo:

  1. As ações e soluções educacionais devem visar o desenvolvimento de competências que atendam às necessidades estratégicas do negócio.
  2. A audiência de suas ações deverá contemplar os mesmos stakeholders da organização à qual pertence.
  3. Ser um polo disseminador da cultura organizacional.

Em minha opinião, esses três princípios continuam valendo. Agora, a questão é que o jogo mudou e, assim, o tabuleiro é outro. O contexto das organizações exige uma maior transcendência desse modelo. Determina que, mais que estar depois da estratégia como um cascateador de competências, a Universidade Corporativa seja um espaço de experiências e aprendizagens promotoras de novos conhecimentos, novos modelos mentais. Para tanto, precisamos pegar um a um de seus princípios e objetivos e colocá-los sob a luz da nova economia.

Sob essa luz, gostaria de trazer foco às perguntas que acredito ser papel das Universidades responderem:

  1. Quais são as competências demandadas por essa nova era?
  2. Como criar espaços de colaboração e cocriação entre os stakeholders para o desenvolvimento de novas competências, para a criação do novo e para a potencialização da inovação?
  3. Como disseminar cultura em tempos digitais?
  4. Quem é o público que as Universidades Corporativas deverá contemplar?

Como se apropriar da tecnologia digital para gerar aprendizagem organizacional?

E você? Quais respostas têm a essas perguntas?

No próximo artigo, pretendo expor algumas reflexões que objetivam ajudar a responder essas questões ou mesmo trazer novos pontos de vista. Acredito que, juntos, podemos trazer respostas mais robustas. Assim, convido você a conversar por aqui e expor as suas considerações.

Vamos conversar?

 

Márcia Naves é superintendente do Isvor.
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